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Charly García: o pai do rock argentino
Por Cláudia Sandoval Romero
Carlos Alberto García Moreno, conhecido na América Latina inteira como "Charly García", nasceu em 23 de outubro de 1951. Um dinossauro do rock argentino, com ele começou a se dissolver o mito de que o rock só podia ser cantado em inglês. Junto com Luis Alberto Spinetta e Gustavo Cerati, Charly é um dos roqueiros argentinos mais conhecidos no exterior.
Sua primeira participacão em disco ocorreu quando tinha vinte e um anos, acompanhando o primeiro disco de Raúl Porchetto, Cristo Rock. Nessa mesma época formou o conjunto Sui Generis, no estilo da moda: o folk americano.
O segundo momento da sua evolução musical ocorreu em 1976, quando lançou o rock-sinfônico com a sua banda La máquina de hacer pájaros.
Posteriormente fundou o grupo Serú Girán, em 1978, que manteve até iniciar a sua carreira solo.
Corria o ano de 1982, e devido à guerra das Malvinas, o governo havia proibido a difusão de músicas em inglês. Isto deu um impulso na produção fonográfica argentina, e Charly foi um dos mais favorecidos, lançando Yendo de la cama al living (Indo da cama ao living) álbum que contém a controversa canção "No bombardeen Buenos Aires" (Não bombardeiem Buenos Aires).
Em Clicks Modernos (Cliques Modernos), disco de 1983, decidiu adotar o pop-rock, incluindo uma canção de protesto ("Los Dinosaurios" [Os Dinossauros]) e músicas dançáveis, ou seja, o ritmo tomava outra dimensão e as letras eram encurtadas - até então o principal foco do rock nacional.
Seu disco Filosofía Barata y Zapatos de Goma Goma (Filosofia barata e sapatos de borracha), claramente influenciado por Prince, resultou em um processo, em 1990, por "ofensa aos símbolos nacionais", pois o CD incluía uma versão do hino nacional que acabou sendo autorizada pelos tribunais.
No concerto de 22 de dezembro de 1991 entrou em cena dentro de uma ambulância, a forma que achou para gozar do tempo que passou internado em uma clínica devido a uma forte overdose.
La hija de la lágrima (A filha da lágrima) foi lançado em 1994, logo após um descanso de quatro anos. Neste disco ele se valeu do formato operático, criando a sua própria ópera-rock.
No verão de 99 Charly García foi a grande atração do ciclo gratuito Buenos Aires Vivo III, organizado pelo governo portenho em Puerto Madero, onde foi aclamado por mais de cinquenta mil pessoas num show dedicado aos desaparecidos. O material foi gravado ao vivo e usado no disco Demasiado Ego (Ego em demasia).
Ainda há muito a se esperar de Charly, suas extravagâncias, suas posições controversas, mas sobretudo, da sua vontade de fazer da música o experimento através do qual se expressa.
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